Wednesday, October 8, 2008
Tuesday, December 18, 2007
Friday, September 21, 2007
Tuesday, July 10, 2007
#8
Ano vai, ano vem, e alguém cisma de fazer uma lista dos melhores discos da música pop de todos os tempos. Os resultados costumam variar bastante, com exceção do primeiro lugar, que é sempre de Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band, disco dos Beatles lançado há exatos 40 anos atrás.
Segundo Paul McCartney, ao criar essa outra banda, eles se sentiriam livres para criar e tocar tudo aquilo que lhes desse na cabeça, esquecendo-se, mesmo que por um momento apenas, de que eram os eternos Fab Four.
Essa atitude libertária e extremamente criativa rendeu o principal disco do rock lançado até hoje. E, na minha opinião, é difícil deixar de fazer a comparação entre o espírito da Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band e a banda dos irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista.

Eu sempre tive um certo temor reverencial pela música d'Os Mutantes. Bombardeado por textos e comentários esparsos a respeito de sua genialidade, julgava-me despreparado para mergulhar em uma das mais criativas obras da música brasileira (mundial, né?, justiça seja feita).
Aí, quando pintava alguma oportunidade de ouvi-los, preferia ficar nas músicas mais conhecidas, mas nem por isso menos geniais. Alguma coisa parecia me dizer que minha hora ainda estava por vir.
E veio. Semana passada, tive a sorte de assistir àquele que foi, com certeza, um dos melhores shows da minha vida, justamente dos próprios. Sem Rita, com Zélia, e também com um vigor de Rolling Stones da época em que o Keith Richards era, fisicamente, outra pessoa.
As que eu conhecia estavam todas lá: Balada do Louco, Top Top, Ando Meio Desligado, Panis et Circenses, 2001... Já as que eu não conhecia me deixaram chapado. Don Quixote, Tecnicolor, Caminhante Noturno, El Justiciero, Cantor de Mambo, e a certeza de um universo maravilhoso a ser desbravado.
E já que o assunto é se-eles-são-bonitos-sou-Alain-Delon, se eles são bonitos, sou 48% Alain Delon...

... e 100% Simpson.
Segundo Paul McCartney, ao criar essa outra banda, eles se sentiriam livres para criar e tocar tudo aquilo que lhes desse na cabeça, esquecendo-se, mesmo que por um momento apenas, de que eram os eternos Fab Four.
Essa atitude libertária e extremamente criativa rendeu o principal disco do rock lançado até hoje. E, na minha opinião, é difícil deixar de fazer a comparação entre o espírito da Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band e a banda dos irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista.

Eu sempre tive um certo temor reverencial pela música d'Os Mutantes. Bombardeado por textos e comentários esparsos a respeito de sua genialidade, julgava-me despreparado para mergulhar em uma das mais criativas obras da música brasileira (mundial, né?, justiça seja feita).
Aí, quando pintava alguma oportunidade de ouvi-los, preferia ficar nas músicas mais conhecidas, mas nem por isso menos geniais. Alguma coisa parecia me dizer que minha hora ainda estava por vir.
E veio. Semana passada, tive a sorte de assistir àquele que foi, com certeza, um dos melhores shows da minha vida, justamente dos próprios. Sem Rita, com Zélia, e também com um vigor de Rolling Stones da época em que o Keith Richards era, fisicamente, outra pessoa.
As que eu conhecia estavam todas lá: Balada do Louco, Top Top, Ando Meio Desligado, Panis et Circenses, 2001... Já as que eu não conhecia me deixaram chapado. Don Quixote, Tecnicolor, Caminhante Noturno, El Justiciero, Cantor de Mambo, e a certeza de um universo maravilhoso a ser desbravado.
E já que o assunto é se-eles-são-bonitos-sou-Alain-Delon, se eles são bonitos, sou 48% Alain Delon...
... e 100% Simpson.
Tuesday, May 8, 2007
Monday, May 7, 2007
#6
O fato é inquestionável: o Cansei de Ser Sexy, ou CSS, é hoje, sem sombra de dúvidas, a banda brasileira de maior sucesso no circuito EUA-Europa. E aí, como tudo que faz sucesso o brasileiro tende a menosprezar, tem (muita) gente que torce o nariz sem nunca ter ouvido, tem quem goste, tem quem diga que goste, tem quem não goste e tem o Lúcio Ribeiro.
Sem tomar partido na questão, mas já tomando, acho a música do CSS audível, um pouco infantil, mas de sucesso compreensível na praia do mundo indie, sempre atento ao novo, ao diferente, mesmo que desprovido de conteúdo relevante, e pronto para ser descartado pelo que os tablóides britânicos elegerem como o novo-e-diferente-parte-dois.
O engraçado é que no mercado nacional o CSS passou batidaço, se restringindo ao nichozinho formado pelos “mudernos”, que juram que vivem numa espécie de Manchester tropical. Quando o CSS estourou lá fora – leia-se: participou de grandes festivais, fez turnês ao lado de bandas famosas etc. – veio uma espécie de “Viu?”, “O público brasileiro não está preparado para esse tipo de som” etc.
Isso me lembra uma frase que recentemente ouvi, atribuída ao Paulo Francis, que, falando mal da obra de Paulo Coelho, recebeu o seguinte argumento:
- Mas ele é muito lido na Europa.
No que o saudoso jornalista rebateu:
- Mas quem disse que não existem idiotas na Europa?
Mudando de assunto sem trocar de tema, cá entre nós, esse clip é bem legal, né não?
Sem tomar partido na questão, mas já tomando, acho a música do CSS audível, um pouco infantil, mas de sucesso compreensível na praia do mundo indie, sempre atento ao novo, ao diferente, mesmo que desprovido de conteúdo relevante, e pronto para ser descartado pelo que os tablóides britânicos elegerem como o novo-e-diferente-parte-dois.
O engraçado é que no mercado nacional o CSS passou batidaço, se restringindo ao nichozinho formado pelos “mudernos”, que juram que vivem numa espécie de Manchester tropical. Quando o CSS estourou lá fora – leia-se: participou de grandes festivais, fez turnês ao lado de bandas famosas etc. – veio uma espécie de “Viu?”, “O público brasileiro não está preparado para esse tipo de som” etc.
Isso me lembra uma frase que recentemente ouvi, atribuída ao Paulo Francis, que, falando mal da obra de Paulo Coelho, recebeu o seguinte argumento:
- Mas ele é muito lido na Europa.
No que o saudoso jornalista rebateu:
- Mas quem disse que não existem idiotas na Europa?
Mudando de assunto sem trocar de tema, cá entre nós, esse clip é bem legal, né não?
Thursday, April 19, 2007
#5

Outro dia, por ocasião do show do Aerosmith em São Paulo, me pus a matar saudades dessa banda que teve uma presença marcante em minha adolescência. Em meio a clássicos dessa fase de minha vida, como Dream On, Mama Kin e Walk This Way, fui surpreendido pelos primeiros acordes de uma música que há séculos não escutava e que de certa forma me abriu as portas para o som deles: Jannie`s Got a Gun. Minha primeira reação, insconsciente, foi fazer uma espécie de constatação a partir de uma associação lógica: Aerosmith – rock norte-americano – EUA – país onde comprar armas é tão fácil como comprar um guarda-chuva; pronto: música típica de uma banda de lá, cantando as peculiaridades de sua cultura. Normal. Assim como um carioca fazer canções sobre a brisa, o mar, um barquinho, um banquinho, um violão.
Três dias depois, o maior massacre da história da terra do Aerosmith, ocorrido na Universidade de Virginia, que deixou a expressiva marca de 32 mortos e 29 feridos, ocupou as manchetes dos principais jornais do mundo e levantou de novo o debate cujo ápice neste século foi o filme de Michael Moore, Tiros em Columbine, que, a uma hora dessas, deve estar com aquela indefectível expressão de "não disse?".

Mas sou adepto da teoria que diz que cada caso é um caso. Mesmo porque Cho Seung-Hui, o franco-atirador da vez, nem americano era, embora nessa cultura estivesse inexoravelmente inserido.
Descrito como problemático e tendo apresentado recentemente sinais de depressão, o cara deixou uma carta "justificando" seu ato. Segundo ele, os "alunos ricos", os "charlatães mentirosos", assim como a libertinagem generalizada na Virginia Tech, o levaram a realizar tal barbaridade, matando e ferindo gente que não tinha nada a ver.
Ou seja, se essa combinação ricos-charlatães-libertinagem for suficiente para desencadear fatos assim, eu pensaria muito, mas muito mesmo antes de pisar em alguns lugares.
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