Thursday, April 19, 2007

#5



Outro dia, por ocasião do show do Aerosmith em São Paulo, me pus a matar saudades dessa banda que teve uma presença marcante em minha adolescência. Em meio a clássicos dessa fase de minha vida, como Dream On, Mama Kin e Walk This Way, fui surpreendido pelos primeiros acordes de uma música que há séculos não escutava e que de certa forma me abriu as portas para o som deles: Jannie`s Got a Gun. Minha primeira reação, insconsciente, foi fazer uma espécie de constatação a partir de uma associação lógica: Aerosmith – rock norte-americano – EUA – país onde comprar armas é tão fácil como comprar um guarda-chuva; pronto: música típica de uma banda de lá, cantando as peculiaridades de sua cultura. Normal. Assim como um carioca fazer canções sobre a brisa, o mar, um barquinho, um banquinho, um violão.

Três dias depois, o maior massacre da história da terra do Aerosmith, ocorrido na Universidade de Virginia, que deixou a expressiva marca de 32 mortos e 29 feridos, ocupou as manchetes dos principais jornais do mundo e levantou de novo o debate cujo ápice neste século foi o filme de Michael Moore, Tiros em Columbine, que, a uma hora dessas, deve estar com aquela indefectível expressão de "não disse?".



Mas sou adepto da teoria que diz que cada caso é um caso. Mesmo porque Cho Seung-Hui, o franco-atirador da vez, nem americano era, embora nessa cultura estivesse inexoravelmente inserido.

Descrito como problemático e tendo apresentado recentemente sinais de depressão, o cara deixou uma carta "justificando" seu ato. Segundo ele, os "alunos ricos", os "charlatães mentirosos", assim como a libertinagem generalizada na Virginia Tech, o levaram a realizar tal barbaridade, matando e ferindo gente que não tinha nada a ver.

Ou seja, se essa combinação ricos-charlatães-libertinagem for suficiente para desencadear fatos assim, eu pensaria muito, mas muito mesmo antes de pisar em alguns lugares.